terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Verdade ou Mentira?

Ilustração: Fernando Brito


Lendas enriquecem imaginário popular e ganham corpo na voz de paraenses.


Conhecida como a capital do Círio de Nazaré, Belém, È conhecida nacional e internacionalmente por esse momento de fé. Mas e quando passa-se a crer no inacreditável?

É quase impossível, andar pelos bairros da cidade, e não encontrar pelo menos uma pessoa em cada um, que tenha vivido tempo o bastante, para acreditar ter visto ou ouvido falar em histórias que deixariam qualquer cabelo em pé. Matinta-perera, Cobra Grande, Mulher do Táxi, Procissão das Almas, são só algumas, das lendas urbanas mais conhecidas da cidade.

As lendas urbanas são tão conhecidas que renderam material rico para o livro “Visagens e Assombrações de Belém, do escritor Walcyr Monteiro. Entre elas a lenda da moça do táxi, que se encontra entre as mais conhecidas.

Moça do Táxi - Diz a lenda que todo ano na mesma data, uma moça faz sinal para um táxi, e pede para ser deixada no cemitério Santa Izabel, ou nas proximidades da Av. Nazaré. Quando chega ao local de destino, diz que está sem dinheiro e pede para o motorista ir cobrar no dia seguinte, em um endereço que ela deixa com ele. O motorista ao chegar na casa, pergunta pela moça mas os residentes da casa dizem que não mora nenhuma moça ali. O motorista olha para um quadro na sala e aponta como sendo a moça que pegou o táxi com ele no dia anterior. O homem que se identifica como pai da menina na foto, diz que era sua filha, e que ela havia falecido um ano antes.

Essa lenda é contada sob várias versões, dizem que o pai só se assustou na primeira vez. Taxistas tem certo receio de parar perto do cemitério ou na Av. Nazaré, rua próxima da casa onde a moça morava, em determinados períodos do ano.

Mulher de Branco - Raimundo Costa Filho, 86, já morou em vários bairros de Belém, já ouviu muitas histórias, já tentou presenciar várias. Mas toadas às vezes descobre que o mito, não passa de pessoas querendo colocar medo em outras. Raimundo conta, que na época de Magalhães Barata, abrigou um dos amigos militares do governador. Já estava tarde, quando ele resolveu voltar para casa, que ficava na Av. Tavares Bastos. Como na Època não existia muitos meios de transportes, ele foi caminhando para a casa. Sendo advertido por todos para não ir, pois existia uma mulher de branco que era avistada todas as noites no canto da travessa Pirajá. Mas não adiantou, o militar disse que isso não existia, e seguiu em frente. Ao se aproximar da travessa, viu de fato uma mulher toda vestida de branco, com os cabelos jogados a frente do rosto. O militar não teve medo, tirou a arma da cintura, e perguntou. “Se você é uma alma vagante, volte de onde você veio, se não é, se declare, senão eu meto bala”. Segundo Raimundo, o militar disse que a mulher tirou os cabelos do rosto, e falou que morava perto do local, e que fazia isso porque gostava de meter medo nas pessoas.

Procissão das Almas - Meire Piveta, 36, moradora do bairro do Tapanã, afirma ter sido acordada no meio da noite por uma procissão que rezava em frente a sua casa. “Eu estava dormindo. Por volta três horas da manhã„ minha campainha tocou, eu levantei e bati na casa da minha vizinha, e pedi para ela ficar com meus filhos. Disse a ela que eu precisava ir atrás da procissão, que estava naquele momento dobrando no fim da rua da minha casa. A vizinha saiu, olhou e não viu procissão alguma. Mas eu afirmei que eu estava vendo e que eu precisava ir, foi então que de repente eu me espertei, e não vi mais nada. Chamei o guarda vigilante e pedi para ele dar uma olhada no fim da rua. Depois de alguns minutos ele voltou e disse que não viu ninguém”. Diz Meire.

Dilma da Silva, 40, que mora no mesmo bairro que Meire Piveta, com a diferença de um rua de distância, afirma que também viu o que acredita ser a mesma procissão. “Acordei por volta de três da manhã, e ouvi o som de várias pessoas rezando. Mas não levantei para ver, virei e dormi novamente”. Mesmo ouvindo as orações, Dilma afirma que não acredita em visagens, lendas ou assombrações.

Cobra-Grande - Conhecida pelos Índios como Paranamaia, que quer dizer mãe d'água em tupi, a cobra grande também responde pelo nome de demônio das profundezas. Umas das lendas mais conhecidas da região amazônica, pode-se ver retratada de diversas formas em cada região. Em Belém, diz a lenda que a cidade foi fundada sobre a casa de uma grande cobra, e que se a mesma, sair do lugar, Belém será submersa pelas águas.

Alguns contam que a lenda foi modificada com a chegada de missionários a capital, que ao chegarem ouviram a lenda e resolveram esmagar a cobra, colocando-lhe a cabeça justamente sob os pés de Nossa Senhora a Virgem Maria. Contam os antigos que a cobra-grande esmagada tem a sua cabeça debaixo do altar mor da Catedral da Igreja da Sé e a sua calda sob o altar da Basílica. Pela vontade de conquistar novos crentes, os missionários tiveram que adaptar a Boiúna dos indígenas, esmagando-lhe a cabeça e a colocando sob o altar da Catedral da Sé, simbolizando com isso um sinal muito parecido a virgem esmagando a serpente que era a encarnação do demônio.

Na madrugada de 12 de Janeiro de 1970, houve um tremor de terra em Belém. Há quem acredite que era a Cobra se mexendo, e que saindo de seu repouso Belém será inundada.

Quem nunca ouvir falar em uma dessas histórias? Todo o paraense já ouviu pelo menos uma delas. Em tempos passados, quando Belém não tinha a estrutura que tem hoje e a falta de energia era constante, era possível, ver sob os quintais das casas, mesas rodeadas de pessoas, em volta do anfitrião da noite - que geralmente era a pessoa mais experiente do grupo - todos ficavam a espera do início da narração de contos fantásticos, histórias sobrenaturais, visagens, assombrações, enfim, ingredientes para despertar o imaginário, e embalar as noites frias, silenciosas e escuras, de uma capital que só estava no começo de sua história.

Ah! O bule de café não poderia faltar. Mas e para você? Não vale meio termo. Você acredita ou não?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Lembranças...

Hoje me peguei pensando em coisas que passaram, coisas que me fizeram tristes, mas que me fizeram alegres também. Como pode uma música trazer a tona sentimentos do passado? Foi assim que se deu minha crise momentanea de saudosismo. Tudo por causa do sax de Dexter Gordon.
Me fez voltar imagens de um tempo atrás, onde para ser feliz, só se precisava deitar no chão da sala, fechar os olhos, ficar quieta e se deleitar com o som desse maravilhoso saxofonista.
O tempo? Ah, esse era nosso melhor amigo, esses pequenos momentos eram alongados acho que por gostar e querer ser nosso cúmplice.
Hoje? Ele nos abandonou. Hoje o tempo é algo que nós vemos passar corrido, sem se importar conosco... com o que sobrou de nós. Acho que porque ele não acredita mais na proposta que tinhamos para nossas vidas. E sem ele ficou muito fácil darmos desculpas para o que nós fizemos de errado, ou melhor para o que não fizemos, para o que não tentamos.
Por isso, hoje só resta recordar. E quanto ao tempo? Esse se torna amigo de quem sabe o que fazer com ele.

E nós sabíamos antes.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Para Pensar!!!

O QUE APRENDI DEPOIS DOS 40...
Amor não se implora, não se pede não se espera... Amor se vive ou não. Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você. Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus paramostrar ao homem o que é fidelidade. Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros. Perdoar e esquecer nos torna mais jovens. Água é um santo remédio. Deus inventou o choro para o homem não explodir. Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso. Não existe comida ruim, existe comida mal temperada. A criatividade caminha junto com a falta de grana. Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam. O carinho é a melhor arma contra o ódio. As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida. Há poesia em toda a criação divina. Deus é o maior poeta de todos os tempos. A música é a sobremesa da vida. Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente. Filhos são presentes raros. De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações. Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor.
O amor... Ah, o amor... O amor quebra barreiras, une facções,destrói preconceitos,cura doenças... Não há vida decente sem amor! E é certo, quem ama, é muito amado. E vive a vida mais alegremente...
Arthur da Távola
Com 22...
Ainda estou na metade dessa jornada, mas gostaria de aprender ou intronizar, sei lá, tudo isso antes de chegar a essa idade. Mas é tão dificil. Por mais que saibamos que a vida é única, curta e preciosa demais para se perder tempo com coisas que não merecem nosso stress, rugas e preocupação. Pessoas que simplesmente não valem a pena, atos que não precisam chegar ao extremo, palavras que não precisam ser ditas. Por que mesmo assim não vivemos? Quando digo viver, estou falando mais do que simplesmente respirar, resolver problemas, ou empurrá-los com a "barriga" e se stressar.
Quantas vezes deixamos de falar para pessoas importantes o quanto gostamos delas e simplesmente as palavras faltaram, e quando vimos a oportunidade passou, se bem que na vida nós podemos fazer as oportunidades acontecerem . As vezes é preciso ouvir, não basta fazer sentir o "eu te amo", ouvir faz bem para o ego, é admirável dar a oportunidade para o outro se sentir importante. Quantas vezes não olhamos um dia lindo de sol, ou uma noite maravilhosa de lua, só porque estavamos "ocupados" demais para tanto?
Quantas vezes utilizamos realmente nosso corpo com algo que nos faça sentir bem? Quando realmente nos realizamos com ele?
Viver é a melhor arte, porque é a única em que já nascemos para o ofício, mas que nem todos estão aptos, pois não dominam todas as técnicas, ou não tem amor pelo trabalho de simplesmente viver.
Patrícia Teixeira

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Semiótica: 00

Imagem: Celivaldo Carneiro.
Santarém.
Blog do Jeso Carneiro.
Blogroll.

O que a imagem diz para você?

domingo, 10 de agosto de 2008

Série - Fotógrafos que fizeram história

FOX TALBOT (1800 - 1877)

Talbot foi um dos pioneiros na investigação e estudo do processo fotográfico. Criador do negativo, Talbot fazia experimentos no ínicio de seus estudos através do contato, tentando fazer cópias de silhuetas de folhas, plumas e etc.
"The pencil of Nature", o primeiro livro do mundo ilustrado com fotografia, foi publicado por Talbot em 1844. O livro foi editado em seis grandes volumes com um total de 24 talbotipos originais, e continha a explicação detalhada de seus trabalhos, estabelecendo certos padrões de qualidade para a imagem.



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebal
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Vinícius de Moraes

sábado, 19 de julho de 2008

?

Você é proporcionalmente inferior a quem você deixa conquistar seu coração.
Afinal, quem é maior, o conquistador ou o conquistado?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cientistas afirmam ter descoberto a parte do cérebro responsável pelo amor

Paixão apresenta uma dinâmica semelhante à da fome e da sede

O novo amor pode parecer para todo o mundo como uma doença mental, uma mistura de mania, demência e obsessão que afasta as pessoas de amigos, parentes e leva a um comportamento incomum --telefonemas compulsivos, serenatas, gritar dos telhados-- que poderia quase ser confundido com psicose.

Fonte: UOL1
Agora, pela primeira vez, os neurocientistas produziram imagens do cérebro desta atividade febril, antes de ela se estabelecer na fase vinho e rosas do romance ou da rotina conjunta dos cartões de festas assinados por ambos do compromisso de longo prazo.

Em uma análise das imagens que aparece na revista "The Journal of Neurophysiology", pesquisadores de Nova York e Nova Jersey argumentam que o amor romântico é um impulso biológico distinto do excitação sexual.

Ele está mais próximo em seu perfil neural a impulsos como fome, sede ou anseio por drogas, do que a estados emocionais como excitação ou afeição. À medida que o relacionamento se aprofunda, sugerem os escaneamentos do cérebro, a atividade neural associada ao amor romântico sofre leve alteração, e em alguns casos estimula áreas profundas do cérebro primitivo que estão envolvidas no compromisso de longo prazo.

A pesquisa ajuda a explicar o motivo de o amor produzir emoções tão díspares, de euforia e raiva até ansiedade, e o motivo de parecer se tornar ainda mais intenso quando se é privado dele. Em uma experiência separada, em andamento, os pesquisadores estão analisando imagens do cérebro de pessoas que foram rejeitadas pela pessoa amada.

"Quando você sofre deste amor romântico ele é esmagador, você fica fora de controle, irracional, você vai à academia às 6h todo dia --por quê? Porque ela está lá", disse a dra. Helen Fisher, uma antropóloga da Universidade Rutgers e co-autora da análise.

"E quando rejeitadas, algumas pessoas contemplam perseguição, homicídio, suicídio. Este impulso por amor romântico pode ser mais forte do que a vontade de viver."

A tecnologia de imagens do cérebro não pode ler a mente das pessoas, alertam os especialistas, e um fenômeno com tantos aspectos e influências sociais como o amor transcende simples gráficos de computador, como os produzidos pela técnica empregada no estudo, chamada de Imagem por Ressonância Magnética (IRM) funcional.

Ainda assim, o dr. Hans Breiter, diretor da Colaboração de Neurociência da Motivação e Emoção do Hospital Geral de Massachusetts, disse: "Eu desconfio de 95% da literatura de IRM, mas daria um 'A' para este estudo; ele realmente promove um avanço em termos da compreensão do amor passional".

Ele acrescentou: "Os resultados se enquadram muito bem dentro de um corpo maior e crescente de literatura que descreve o sistema de recompensa e aversão no cérebro, e coloca esta construção intelectual do amor diretamente no mesmo eixo das recompensas homeostáticas como comida, calor, anseio por drogas".

No estudo, Fisher, a dra. Lucy Brown da Faculdade Albert Einstein de Medicina, no Bronx, e o dr. Arthur Aron, um psicólogo da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, lideraram uma equipe que analisou cerca de 2.500 imagens do cérebro de 17 estudantes universitários que estavam nas primeiras semanas ou meses de um novo amor.

Os estudantes olhavam para uma foto da pessoa amada enquanto um aparelho de IRM escaneava o cérebro deles. Os pesquisadores então compararam as imagens com outras obtidas enquanto os estudantes olhavam para uma foto de um conhecido.

A tecnologia de IRM funcional detecta o aumento ou diminuição do fluxo de sangue no cérebro, o que reflete mudanças na atividade neural.

No estudo, um mapa gerado por computador das áreas particularmente ativas mostrou pontos acesos nas profundezas do cérebro, abaixo da consciência, em áreas chamadas de núcleo caudado e área ventral tegumentar, que se comunicam uma com a outra como parte de um circuito.

Estas áreas possuem alta densidade de células que produzem ou recebem uma substância química do cérebro chamada dopamina, que circula ativamente quando as pessoas desejam ou antecipam uma recompensa.

Em estudos envolvendo apostadores, usuários de cocaína e até mesmo pessoas jogando jogos de computador por pequenas quantias de dinheiro, estes pontos de dopamina se tornam extremamente ativos quando as pessoas vencem, disseram os neurocientistas.

Mas se apaixonar está entre os comportamentos humanos mais irracionais, não apenas uma questão de satisfazer um simples prazer ou obter uma recompensa. E os pesquisadores descobriram que um ponto em particular nas imagens por ressonância magnética, no núcleo caudado, ficava particularmente ativo em pessoas que marcaram muitos pontos em um questionário que media o amor passional.

Esta região ligada à paixão estava no lado oposto do cérebro de outra área que registra atração física, descobriram os pesquisadores, e parece estar envolvida no anseio, desejo e na atração inexplicável que as pessoas sentem por alguém, entre muitos parceiros alternativos atraentes.

Esta distinção, entre achar alguém atraente e desejá-lo ou desejá-la, entre gostar e querer, "acontece em uma área do cérebro mamífero responsável pelas funções mais básicas, como comer, beber, o movimento dos olhos, tudo em um nível inconsciente, e não acho que alguém esperaria que esta parte do cérebro fosse tão especializada", disse Brown.

A intoxicação do novo amor abranda com o tempo, é claro, e resultados de escaneamentos do cérebro refletem alguma evidência desta mudança, disse Fisher.

Em um estudo anterior de IRM funcional do romance, publicado em 2000, pesquisadores da University College London monitoraram a atividade cerebral de homens e mulheres jovens que mantiveram relacionamentos por cerca de dois anos.

As imagens do cérebro, também obtidas enquanto os participantes olhavam fotos da pessoa amada, mostraram a ativação de muitas das mesmas áreas apontadas no novo estudo --mas significativamente menos na região ligada ao amor passional, ela disse.

No novo estudo, os pesquisadores também viram diferenças individuais em seu grupo de amantes aflitos, baseado em quanto tempo os participantes estavam nos relacionamentos.

Comparados com os estudantes que estavam nas primeiras semanas de um novo amor, aqueles que foram separados por um ano ou mais mostraram maior atividade significativa em uma área do cérebro associada ao compromisso de longo prazo.

No verão passado, cientistas na Universidade Emory em Atlanta informaram que ao injetar um único gene em um animal chamado rato-calunga, isto transformou machos promíscuos em pais que ficam em casa --ao ativar precisamente a mesma área do cérebro onde os pesquisadores no novo estudo encontraram aumento de atividade com o tempo.

"Isto é muito sugestivo de como ocorrem os processos de compromisso", disse Brown. "É possível imaginar um tempo em que em vez de ir ao (site) Match.com você poderá fazer um teste para descobrir se é do tipo que se compromete ou não."

Um motivo para o novo amor ser de parar o coração é a possibilidade, o medo sempre presente, de que o sentimento possa não ser inteiramente correspondido, de que o sonho possa acabar repentinamente.

Rompimento e caos

Em uma experiência posterior, Fisher, Aron e Brown realizaram escaneamentos dos cérebros de 17 homens e mulheres jovens que tinham sido recentemente abandonados por seus parceiros.

Como no estudo do novo amor, os pesquisadores compararam os dois conjuntos de imagens, um realizado quando os participantes estavam olhando para a foto de um amigo ou amiga, o outro quando olhavam para a foto do ou da ex.

Apesar de ainda estarem analisando as imagens, os pesquisadores notaram um resultado preliminar: o aumento da atividade em uma área do cérebro associada ao amor passional.

"Isto parece sugerir o que a literatura psicológica, a poesia e as pessoas já notaram há muito tempo: o fato de ser rejeitado na verdade acentua o amor romântico, um fenômeno que chamo de frustração-atração", disse Fisher em uma mensagem por e-mail.

Uma voluntária do estudo foi Suzanna Katz, 22 anos, de Nova York, que sofreu com o rompimento com seu namorado há três anos. Katz disse que se tornou hiperativa para se distrair após a separação, mas disse que ainda sente momentos de sofrimento físico, como se estive se curando de uma droga.

"Tinha pouco a ver com ele, e mais com o fato de que havia algo lá, dentro de mim, uma esperança, um conhecimento da existência de alguém lá fora para você e que você é capaz de se sentir desta forma, e repentinamente me senti como se isso tivesse sido perdido", disse ela em uma entrevista.

E não é de se estranhar.

Em uma série de estudos, os pesquisadores descobriram que, entre outros processos, o novo amor envolve a internalização psicológica da pessoa amada, absorvendo elementos das opiniões da outra pessoa, hobbies, expressões e personalidade, assim como o compartilhamento dos seus próprios.

"A expansão do eu ocorre muito rapidamente, é uma das experiências mais estimulantes que existem e, tirando a ameaça à nossa sobrevivência, é uma das que mais nos motiva", disse Aron, da Estadual de Nova York, um co-autor do estudo.

Perder tudo isto, de uma só vez, enquanto ainda está apaixonado, provoca o caos nas áreas emocionais, cognitivas e de recompensa mais profundas do cérebro. Mas o aumento da atividade nestas áreas inevitavelmente se acalma. E os circuitos no cérebro relacionados à paixão permanecem intactos, disseram os pesquisadores -intactos e capazes de com o tempo serem ativados por uma nova pessoa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

sábado, 8 de setembro de 2007

Estréia!!!!!!!

Como uma virgem que está a um passo de sua primeira noite de amor. Assim estou me sentindo ao colocar no ar meu blog. O friozinho na barriga está quase se apoderando do corpo inteiro. Mas o novo me atrai e a idéia de expressar minhas idéias, me fascina. O clichê, “como se fosse o nascimento de um filho”, já está ultrapassado, mas é bem essa a sensação. E quanto a você que está lendo, todas as informações aqui contidas não valeriam a pena, se não fosse você(outro clichê, o que se pode fazer, né?). Mas prometo que todas essas informações, não terão nada de demodê. Puxem a minha orelha, se isso acontecer. Aqui escreverei um pouco de tudo, política(espero estar a altura), cultura(pra quem me conhece nem preciso comentar, e para os que não me conhecem, saberão com o tempo), música(coisa que respiro), jornalismo(estou caminhando), semiótica(minha atual paixão, e espero a contribuição de todos, para análise), e um pouco de um bom besteirol, pois não sou de ferro. Eis a partir de agora minha impressões e expressões.