

Lendas enriquecem imaginário popular e ganham corpo na voz de paraenses.
Conhecida como a capital do Círio de Nazaré, Belém, È conhecida nacional e internacionalmente por esse momento de fé. Mas e quando passa-se a crer no inacreditável?
É quase impossível, andar pelos bairros da cidade, e não encontrar pelo menos uma pessoa em cada um, que tenha vivido tempo o bastante, para acreditar ter visto ou ouvido falar em histórias que deixariam qualquer cabelo em pé. Matinta-perera, Cobra Grande, Mulher do Táxi, Procissão das Almas, são só algumas, das lendas urbanas mais conhecidas da cidade.
As lendas urbanas são tão conhecidas que renderam material rico para o livro “Visagens e Assombrações de Belém, do escritor Walcyr Monteiro. Entre elas a lenda da moça do táxi, que se encontra entre as mais conhecidas.
Moça do Táxi - Diz a lenda que todo ano na mesma data, uma moça faz sinal para um táxi, e pede para ser deixada no cemitério Santa Izabel, ou nas proximidades da Av. Nazaré. Quando chega ao local de destino, diz que está sem dinheiro e pede para o motorista ir cobrar no dia seguinte, em um endereço que ela deixa com ele. O motorista ao chegar na casa, pergunta pela moça mas os residentes da casa dizem que não mora nenhuma moça ali. O motorista olha para um quadro na sala e aponta como sendo a moça que pegou o táxi com ele no dia anterior. O homem que se identifica como pai da menina na foto, diz que era sua filha, e que ela havia falecido um ano antes.
Essa lenda é contada sob várias versões, dizem que o pai só se assustou na primeira vez. Taxistas tem certo receio de parar perto do cemitério ou na Av. Nazaré, rua próxima da casa onde a moça morava, em determinados períodos do ano.
Mulher de Branco - Raimundo Costa Filho, 86, já morou em vários bairros de Belém, já ouviu muitas histórias, já tentou presenciar várias. Mas toadas às vezes descobre que o mito, não passa de pessoas querendo colocar medo em outras. Raimundo conta, que na época de Magalhães Barata, abrigou um dos amigos militares do governador. Já estava tarde, quando ele resolveu voltar para casa, que ficava na Av. Tavares Bastos. Como na Època não existia muitos meios de transportes, ele foi caminhando para a casa. Sendo advertido por todos para não ir, pois existia uma mulher de branco que era avistada todas as noites no canto da travessa Pirajá. Mas não adiantou, o militar disse que isso não existia, e seguiu em frente. Ao se aproximar da travessa, viu de fato uma mulher toda vestida de branco, com os cabelos jogados a frente do rosto. O militar não teve medo, tirou a arma da cintura, e perguntou. “Se você é uma alma vagante, volte de onde você veio, se não é, se declare, senão eu meto bala”. Segundo Raimundo, o militar disse que a mulher tirou os cabelos do rosto, e falou que morava perto do local, e que fazia isso porque gostava de meter medo nas pessoas.
Procissão das Almas - Meire Piveta, 36, moradora do bairro do Tapanã, afirma ter sido acordada no meio da noite por uma procissão que rezava em frente a sua casa. “Eu estava dormindo. Por volta três horas da manhã„ minha campainha tocou, eu levantei e bati na casa da minha vizinha, e pedi para ela ficar com meus filhos. Disse a ela que eu precisava ir atrás da procissão, que estava naquele momento dobrando no fim da rua da minha casa. A vizinha saiu, olhou e não viu procissão alguma. Mas eu afirmei que eu estava vendo e que eu precisava ir, foi então que de repente eu me espertei, e não vi mais nada. Chamei o guarda vigilante e pedi para ele dar uma olhada no fim da rua. Depois de alguns minutos ele voltou e disse que não viu ninguém”. Diz Meire.
Dilma da Silva, 40, que mora no mesmo bairro que Meire Piveta, com a diferença de um rua de distância, afirma que também viu o que acredita ser a mesma procissão. “Acordei por volta de três da manhã, e ouvi o som de várias pessoas rezando. Mas não levantei para ver, virei e dormi novamente”. Mesmo ouvindo as orações, Dilma afirma que não acredita em visagens, lendas ou assombrações.
Cobra-Grande - Conhecida pelos Índios como Paranamaia, que quer dizer mãe d'água em tupi, a cobra grande também responde pelo nome de demônio das profundezas. Umas das lendas mais conhecidas da região amazônica, pode-se ver retratada de diversas formas em cada região. Em Belém, diz a lenda que a cidade foi fundada sobre a casa de uma grande cobra, e que se a mesma, sair do lugar, Belém será submersa pelas águas.
Alguns contam que a lenda foi modificada com a chegada de missionários a capital, que ao chegarem ouviram a lenda e resolveram esmagar a cobra, colocando-lhe a cabeça justamente sob os pés de Nossa Senhora a Virgem Maria. Contam os antigos que a cobra-grande esmagada tem a sua cabeça debaixo do altar mor da Catedral da Igreja da Sé e a sua calda sob o altar da Basílica. Pela vontade de conquistar novos crentes, os missionários tiveram que adaptar a Boiúna dos indígenas, esmagando-lhe a cabeça e a colocando sob o altar da Catedral da Sé, simbolizando com isso um sinal muito parecido a virgem esmagando a serpente que era a encarnação do demônio.
Na madrugada de 12 de Janeiro de 1970, houve um tremor de terra em Belém. Há quem acredite que era a Cobra se mexendo, e que saindo de seu repouso Belém será inundada.
Quem nunca ouvir falar em uma dessas histórias? Todo o paraense já ouviu pelo menos uma delas. Em tempos passados, quando Belém não tinha a estrutura que tem hoje e a falta de energia era constante, era possível, ver sob os quintais das casas, mesas rodeadas de pessoas, em volta do anfitrião da noite - que geralmente era a pessoa mais experiente do grupo - todos ficavam a espera do início da narração de contos fantásticos, histórias sobrenaturais, visagens, assombrações, enfim, ingredientes para despertar o imaginário, e embalar as noites frias, silenciosas e escuras, de uma capital que só estava no começo de sua história.
Ah! O bule de café não poderia faltar. Mas e para você? Não vale meio termo. Você acredita ou não?

2 comentários:
Feliz Natal, amiga e família.
Beijinhos.
oi, tenho 15 anos gosto muito de lendas e pretendo estudar sobre essa lenda do taxi e procurar se é verdade, entre eu terá mais 3 amigos. depois eu passo aki para contar como foi.
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