domingo, 26 de julho de 2009

Todo o Swing do Golfe

O esporte que movimenta mais de 500 milhões ao ano

Por Patrícia Teixeira

Roberto Oya, 1º lugar no ranking estadual, em posição de stance
Taco, bola no ar e swing. Você pode achar estranho, ou ao falar em taco e bola, pode pensar logo no baseball. Swing? Será que é um baseball, ritmado, dançado? Não, nada disso. Apesar de pouco difundido e por isso a não associação, tacos e bola também são equipamentos utilizados no golfe, onde o swing é nome que se dá ao balanço que o corpo faz ao dar a tacada.
O esporte que vem crescendo nos últimos anos e que hoje, segundo a Confederação Nacional de Golfe têm 25 mil adeptos no Brasil, movimenta cerca de 500 milhões ao ano no país. São 107 campos construídos atualmente, com previsão de 40 novos projetos de campos, ligados principalmente a resorts no Nordeste.
No Pará, segundo Acy dos Santos, 71, presidente da Federação Norte de Golfe, existem 200 jogadores que praticam em quatro campos no estado, situados em Belém, Castanhal, Capanema e Tomé Açu. A Federação que existe há 10 anos, e da qual Acy é um dos fundadores, é responsável por organizar campeonatos, manter calendários e supervisionar todas as atividades referentes ao esporte no estado.
Segundo Acy há seis Federações no Brasil, e a do Pará é a quarta em fundação e importância. Os reflexos do crescimento do esporte no país já podem ser sentidos no estado. Segundo o presidente, o esporte é bem visto na sociedade, e por conta disso sempre há patrocínio para campeonatos.
No estado do Pará, a SEEL - Secretaria de Esporte e Lazer auxilia com o incentivo governamental, vários esportes. Segundo Mauro Bittencourt, 47, técnico da secretaria, a elaboração, criação e a avaliação de projetos na área de esportes são algumas das responsabilidades da secretaria.
Observa-se que esportes como o futebol, “paixão nacional”, recebem apoio do governo do estado, mas e esportes de pouca popularidade como o golfe? Segundo o técnico da SEEL Acássio Lima, 52, a secretaria procura atender o máximo de solicitações possíveis, independente da projeção do esporte. “Com a crise, o orçamento destinado às Secretarias do governo diminuiu, mas isso não vai impedir que possamos incentivar o esporte”, afirma Acássio.
Há quem afirme que o esporte continua sendo elitizado. É o que diz Lúcio Hacknhaan, 55, professor de educação física e técnico da SEEL. Segundo ele o esporte só cresce devido a iniciativa privada. “A não ser que haja uma mobilização para a popularização do esporte, o único caminho que vejo para um orçamento governamental maior, dedicado ao golfe, é através das leis de incentivo ao esporte”, afirma.
A prática do esporte a princípio é considerada cara. Um conjunto de equipamentos para iniciantes, envolvendo 14 tacos, sapatos com solado de trava, luvas, bolas e bolsa, custa em média 2mil reais. Para atletas pode custar mais de 5 mil.
Os equipamentos são importados e não há nenhum tipo de incentivo fiscal com redução de taxas de importação. No Pará, a dificuldade em conseguir os equipamentos é maior, já que não há lojas especializadas no estado. Mas esse recurso pode ser considerado um investimento a longo prazo, pois diferente da maioria dos esportes, os equipamentos de golfe duram de 10 a 15 anos. Segundo Acy, a maioria dos jogadores praticam o esporte com recursos pessoais e os patrocínios geralmente são para arcar com as despesas estruturais dos torneios.

Personalidade – Depois de anos sem nenhum brasileiro conquistar projeção no esporte, eis que surge Angela Park. A paranaense de 22 anos, já chegou a ficar entre as 10 melhores do mundo, conquistando a 3º colocação no torneio HSBC Women´s Champions de Singapura. A brasileira, com dois anos na liga profissional, conseguiu embolsar mais de 2milhões de dólares.

Roberto Oya, sendo observado ao efetuar uma tacada, podemos ver a finalização do swing


Pará - Há quem busque no esporte o alívio de tensões, stress, ou mesmo conviver com pessoas interessantes. É o caso de Roberto Oya, 46, analista de sistema e vice-presidente técnico da Federação Norte de Golfe. Roberto atualmente é o 1º lugar do ranking no estado, e pratica o esporte há 19 anos. “Estar no ranking é uma satisfação, de uma disputa amigável. Uma forma de motivação para melhorarmos nosso jogo”, afirma.
Segundo Roberto o fato de estarem muito longe dos grandes centros (São Paulo, Rio, Paraná, Rio Grande do Sul) e de as passagens aéreas não serem baratas, dificulta a projeção de jogadores paraenses em nível nacional. Há dificuldade em participar com muita freqüência dos torneios válidos pelo Ranking Nacional, então praticamente não tem como competir com outros estados. “Não somos melhores que esses estados, mas temos alguns jogadores que conseguem jogar bem e até melhor. Mas eles têm mais estrutura, mais torneios, profissionais de golfe que dão clínica e por isso são melhores”, afirma Oya.
A Federação tem o seu campeonato anual, que este ano segundo Roberto, será realizado em Tomé-Açú em comemoração aos 80 anos da imigração japonesa no Estado do Pará, onde esperam cerca de 100 participantes, do Estado do Pará, Amazonas e alguns jogadores de São Paulo e do Rio.
Para praticar o esporte não há idade, basta que se saiba andar, segundo Roberto. É preciso também postura, e preparo físico, é indispensável alongamentos antes e depois da prática do esporte. Para quem quiser aprender mais sobre o esporte pode procurar qualquer clube de golfe, e solicitar mais detalhes. Segundo Acy, o clube auxilia nos primeiros meses de adaptação, mostrando as técnicas, emprestando material e acompanhando o processo de aprendizagem do jogador.


DICIONÁRIO DO GOLFE

Albatroz: acertar o buraco com três tacadas abaixo do par estabelecido.
Approach: tacada que leva ao green.
Air shot: errar completamente a bola ao fazer o swing.
Birdie: acertar o buraco com uma tacada abaixo do par.
Bogey: acertar o buraco com uma tacada acima do par.
Bunker: bancos de areia que servem como obstáculo.
Caddie: carregador de tacos.
Chip Shot: tacada curta, perto do green.
Drive: primeira tacada a partir do tee.
Driver: nome do taco usado para tacadas de longa distância, usado para a saída.
Divot: pedaço de grama arrancada com a cabeça do taco ao bater na bola.
Eagle: acertar o buraco com duas tacadas abaixo do par.
Fairway: região no centro do campo, entre o tee e o green.
Green: área onde fica o buraco, onde a grama é fina, compacta e aparada rente ao solo.
Hazzard: obstáculo (de água ou areia).
Handicap: tipo de pontuação que mede o aproveitamento de cada golfista, sendo subtraído do total de tacadas. É usado para igualar dois jogadores de níveis diferentes.
Hole: buraco sinalizado por uma bandeira colorida.
Hole-in-one: acertar o buraco com uma única tacada.
Iron: taco de ferro, usado para jogadas curtas.
Macht-Play: modalidade em que a equipe vencedora é a que acerta o maior número de buracos.
Out of Bounds: terreno considerado fora de campo. O jogador é obrigado a repetir a tacada, do local onde bateu, perdendo uma tacada.
Par: referência da média de tacadas para embocar a bola em cada buraco. A soma dos pares dos 18 buracos é o par do campo.
Putt: tacada no green para atingir o buraco. O taco para esse tipo de jogada chama-se putter.
Putter: taco específico usado para no putting green, ou seja, para colocar a bola no buraco.
Rough: local de grama mais alta e difícil de jogar, geralmente perto de árvores e arbustos.
Scratch: partida onde não há desconto de handicap.
Stance: posição do jogador na hora da tacada.
Stroke-Play: modalidade em que vence o jogador que cumprir os 18 buracos com menor número de tacadas.
Swing: balanço do corpo para dar a tacada.
Tee: local onde é dada a primeira tacada em cada buraco. Também é o nome do pino de plástico que sustenta a bola na primeira tacada.
Wood: taco usado para jogadas de longa distância. Tem esse nome pois sua cabeça costuma ser de madeira.
Yards: jardas. No golfe, as distâncias são medidas em jardas. Cada jarda equivale a 91,4 centímetros.

Fonte: Confederação Nacional de Golfe

O Jogo - A dinâmica do golfe é simples: ganha o jogo quem completa o percurso de 18 buracos em um número menor de tacadas. No meio do caminho, o jogador pode se deparar com obstáculos como lagos, por exemplo. Se a bola cair num hazard de água, o jogador levará uma tacada de penalidade e terá de jogar outra bola de um local próximo da margem do lago. Se a bola sair dos limites do campo, marcados por estacas brancas, também levará uma tacada de penalidade e terá de repetir a tacada do lugar original.
No golfe, há o sistema de handicap, que serve para nivelar jogadores de diferentes categorias. O handicap costuma ir de 0 a 36 e indica o total de tacadas que deverá ser subtraído da soma total de tacadas efetivamente dadas para completar o percurso.
O handicap index (índice que serve para determinar que handicap cada jogador terá em determinado campo) é estabelecido pelas federações de golfe. Cada vez que o golfista joga uma partida, é obrigado a submeter o seu resultado ao clube, que o repassa à federação. Desta forma, é possível estabelecer uma média dos resultados do jogador e, assim, chegar ao handicap index dele.
Ps.: Última matéria produzida nas cadeiras da academia de jornalismo.

Um comentário:

morenocris disse...

Lindo em tudo. Parabéns. Blog de gente grande, enfim... rsrs

Beijinhos e Sucesso!!!!!!!!!!!